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  • 29 de mai. de 2025

Não se deixe enganar pelos sorrisos frios, pelas palavras suaves, pelas lembranças doces de um verão que já passou e pelos amores inventados. Siga em frente. Vire a próxima esquina. Não pare. Não olhe para trás, nem por um segundo sequer. Agora, pegue o trem na estação e embarque na sua próxima viagem. Não se atrase. A vida não espera.


Você precisa recomeçar. Como a fênix, renascer das próprias cinzas. Precisa se reencontrar. Você é o seu próximo destino. Prepare-se para conhecer a melhor pessoa que existe no mundo e leve flores para ela. Só tome cuidado para que não murchem no caminho. A estrada é longa. Haverá pedras, temporais e turbulências, mas siga firme. A sua melhor versão te espera no final.


Eu sei, não está sendo fácil chegar até lá. Eu nunca disse que seria. Ainda assim, você precisa continuar. Se puder, aqueça o seu coração. O inverno é frio e congelante. Quando finalmente chegar, abra os braços, sorria e descanse. Olhe para trás com carinho, reconheça o caminho percorrido e sinta orgulho por ter ido até o fim. Acredite, nada vale mais a pena do que você mesma.


Eu não estarei lá para te receber. Infelizmente. Talvez uma parte de mim já tenha ficado pelo caminho. A outra estará em algum lugar por aí, silenciosamente, te desejando toda a sorte do mundo.


E não se esqueça do mais importante. Não desista de se encontrar. Muitas pessoas desistiram e nunca puderam viver a intensidade da própria existência. Eu gostaria de ter tido alguém para me alertar sobre tudo isso. Mas me desarmei, me entreguei demais e acabei sem proteção.


A vida que te espera do outro lado é aquela em que você é feliz. Então vá. E não volte mais. Não há nada para você aqui.


De eu do passado. Para eu do futuro.


Foto: Freepik
Foto: Freepik

  • 17 de mai. de 2025

Outono é a minha estação favorita.


Nem frio, nem calor. É o meio-termo perfeito. Aquele clima agradável, fresco, que convida a respirar fundo. Ele vem vestido de amarelo, a mesma cor que eu gosto, e carrega, discretamente, o significado de recomeço. É tempo de deixar o que é velho para trás e prestar atenção no que insiste em nascer daqui pra frente. As folhas secas caem e, curiosamente, tudo fica mais bonito. Mais colorido. Os frutos do que foi plantado começam a aparecer. O verão, por sua vez, já evaporou os excessos, levando os males e deixando apenas a esperança.


O outono é aconchego de alma.


Ele traz calmaria. Os dias são iluminados por um sol gentil, que não queima nem congela. Às vezes bate um friozinho nas madrugadas, mas o coração permanece quentinho e isso nos leva para a cama um pouco mais cedo, sem culpa. É tempo de renovação. Tempo de planejar possibilidades, daquelas que realmente nos levam a algum lugar. O calendário avisa que o ano já está quase na metade, mas o outono sussurra que ainda dá tempo. Sempre dá.


É também a estação dos amigos, das visitas sem pressa, do bolo com café, das taças de vinho e das conversas que se prolongam. Sobre esse último ponto, deixa comigo. Prometo não esquecer de combinar o próximo encontro. O destino você escolhe, na minha casa ou na sua, afinal continuo sendo uma libriana indecisa em qualquer estação do ano. O bolo não é problema. É de cenoura, com cobertura de chocolate.


Aposto que, depois desse último parágrafo, o outono já ganhou um lugar especial no seu coração também. Como de costume, termino este texto desejando viver as próximas estações com a mesma intensidade com que vivo esta, sonhando bastante e com a certeza tranquila de que o universo vai, em algum momento, dar um jeito de transformar desejos em realidade.


Foto: Freepik
Foto: Freepik


  • 25 de abr. de 2025

Eu realmente achei que estava pronta para seguir em frente. Pensei que fosse só uma questão de tempo até me acostumar com a sua ausência. Imaginava os primeiros dias difíceis, é claro. As lágrimas caindo devagar nos momentos mais silenciosos, você aparecendo nos meus lugares favoritos, músicas tristes tocando ao fundo e essa sensação estranha de estar sozinha depois de termos dividido quase tudo.


Mas, na minha cabeça, isso passaria. Ficaria tudo bem. No fim, sobrariam apenas lembranças bonitas de um amor que já tinha ficado no passado.


Eu estava completamente enganada.


A verdade é que os dias não ficaram mais fáceis, ficaram mais pesados. A saudade cresceu de um jeito que eu não previa. Onde quer que eu vá, você aparece. Mesmo nos lugares em que nunca estivemos juntos. A solidão insiste em ficar, quase o tempo todo, e eu me pego esperando ansiosamente pelo instante em que todos esses sentimentos finalmente vão embora… só que esse instante nunca chega. E o pior: eu nem sabia que eles ainda estavam todos aqui.


Seguimos por caminhos diferentes. Você foi para um lado, eu para o outro. E foi aí que eu errei.


Acreditei que conseguiria viver sem você, sem suas manias, sem o que era só nosso. Acelerei na direção oposta, determinada a chegar rápido demais a um destino que parecia certo. Quando percebi, estava longe demais. Não havia retorno. Não havia conserto. Você até tentou voltar, mas já não me encontrou no mesmo lugar. Naquele momento, a gente entendeu, tarde demais, que o tempo não jogou a nosso favor.


O amor não acaba.

Esse nunca foi o problema.

O problema é quando a gente acaba com ele.


Você dizia, meio em tom de brincadeira, que estávamos “condenados a nos amar separados”. Hoje eu entendo. Essa é a sentença mais triste que um coração pode receber. Ainda assim, eu aceito. Aceito o peso, a culpa e a consequência de ter perdido você.


Dizem por aí que ninguém morre de amor. Talvez seja verdade. Mas, se não for, deixo aqui um último pedido: que em outra vida a gente se encontre de novo. E, se não for pedir demais, que eu possa ser, mais uma vez, a sua princesa.


Foto: Freepik
Foto: Freepik

©2023 Brenda Luiza. Todos os direitos reservados.

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