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  • 15 de mar. de 2025

Você deveria ter percebido o quanto eu tentei. Ah… como eu tentei.


Fiz tudo o que estava ao meu alcance para te ver bem. Coloquei vontades minhas de lado, adiei sonhos pequenos, aceitei coisas que eu não queria aceitar, tudo para ser sua cúmplice, para estar com você em cada momento. Tirei a armadura que eu vestia há tanto tempo e, aos poucos, fui me permitindo sentir. Deixei os sentimentos correrem livres, até não estar mais no controle de nada.


Você deveria ter percebido que tudo o que eu fazia partia da mesma crença simples: juntos, tudo era mais divertido. As festas de família, os churrascos improvisados, os encontros com os amigos, o sítio no fim de semana, um jantar qualquer, um passeio de domingo, um sábado de cinema em casa, uma noite de música e dança ou até um dia inteiro sem fazer absolutamente nada. Não importava o cenário. Com a gente, tudo virava festa. Tudo virava bagunça boa.


Mas em que momento isso mudou? Quando foi que deixamos de ser bobos? Quando foi que a alegria ficou em segundo plano?


Em que instante a música, o ambiente, o som alto, as pessoas ao redor passaram a ser mais importantes do que a nossa própria companhia? Em algum ponto do caminho, acho que perdi algo. Ou talvez tenha sido aí que eu tenha começado a enxergar.


Você deveria ter percebido que, mesmo quando não estávamos juntos fisicamente, uma parte de mim sempre esteve ao seu lado. Onde quer que eu estivesse, você também estava. Não porque eu quisesse viver à sombra de alguém, mas porque a minha alma já tinha entendido: a nossa conexão não dependia de lugar, distância ou presença constante.


Você sempre esteve aqui. E eu sempre estive aí.


Você deveria ter percebido que estaríamos conectados, em qualquer cidade, em qualquer esquina do mundo. Mas talvez algumas coisas só fiquem claras quando já é tarde demais.


Foto: Freepik
Foto: Freepik

Com você, eu embarquei nas mais improváveis aventuras da vida. Na mesma viagem, conheci lugares bonitos e feios, e aprendi que nem toda paisagem encanta, mas toda experiência ensina. Descobri que não gosto de São Cristóvão, que amo o outono, que a maionese Heinz é, incontestavelmente, a melhor do mundo; que filmes de terror não são tão assustadores quanto parecem; que, para comprar algo simples, é preciso meses de pesquisa; que Petit Gateau pode, sim, nascer de um bolinho Bauducco; que strogonoff combina com ketchup; que Cancún é um sonho perfeitamente possível; que bolo de cenoura quentinho com sorvete é uma obra de arte; que videogame virou meu novo hobby. E tantas outras descobertas aleatórias que não caberiam nem nas melhores páginas.


Mas não foram só essas pequenas coisas que aprendi.


Com você, conheci a melhor versão de mim, e também a pior. Descobri que posso me encontrar e me perder dentro da mesma frase. Que minha mente funciona fora do padrão, que penso demais, existo intensamente e, acima de tudo, não sei me calar. Às vezes me perco nas lembranças infinitas do passado; outras, tento desenhar caminhos para um futuro que talvez nunca exista, mas que ainda assim insisto em imaginar.


Aprendi a lutar pelas minhas causas. Aprendi que renunciar faz parte, mas que nunca devemos abrir mão de tudo. Aprendi a respirar fundo nos dias difíceis e a permitir-me ser frágil de vez em quando, porque ser cuidada também é uma forma de amor. Aprendi a ser corajosa. Afinal, para ser “briguenta” como eu sou, é preciso coragem para enfrentar os maiores gigantes.


Tudo isso me transformou em alguém diferente de quem eu era antes. Ninguém entra na vida de outra pessoa para sair ileso, como se nada tivesse acontecido. Se fosse assim, não haveria impacto, nem marca, nem história. Mas houve. Você fez diferença.


E pode ter certeza: valeu a pena.


Mesmo que, agora, a casa esteja um pouco fora de ordem, ela vai se ajeitar. Não poderia ser diferente, você sempre foi o maior bagunceiro.


Foto: Freepik
Foto: Freepik

  • 4 de jan. de 2025

Oi. Vou começar sendo sincera: dispenso apresentações.


Este é apenas o meu espaço. Um cantinho silencioso (ou nem tanto) onde eu escrevo para espantar os males, anunciar as boas novas e, principalmente, dar voz ao que o coração insiste em sentir em silêncio. Escrever, para mim, é isso: um alívio. Um respiro. Um encontro.


Cada vez que escrevo, descubro uma nova versão de mim, alguém que eu nem sabia que existia. É como se o universo me concedesse licença para ser quem eu quiser, sem rótulos, sem julgamentos. Nas palavras, encontro coragem. Aqui, posso me expressar sem medo. E convenhamos: não é todo dia que a gente consegue fazer isso.


Mas não se engane. Você conhecerá apenas aquilo que eu escolhi contar. E talvez essa seja a parte mais interessante de todas.


Posso transformar imaginação em realidade, realidade em fantasia. Posso contar a minha história, emprestar voz às histórias de outros ou misturar tudo isso em uma só narrativa. Ainda assim, quem realmente está por trás dessas palavras continuará sendo um mistério.


E isso tem nome: liberdade.


Escrever é um ato de libertar a si mesma. As palavras têm esse poder quase invisível de aliviar o peso, acalmar a angústia e organizar sentimentos que estavam guardados há tempo demais. Quando tudo parecer confuso, experimente escrever. Não para alguém. Para você.


Escreva sem medo. E se não gostar, rasgue. Recomece. Escreva de novo. Quantas vezes forem necessárias, até sentir que algo dentro de você ficou mais leve.


Até sentir-se, enfim, livre.


Foto: arquivo pessoal
Foto: arquivo pessoal

©2023 Brenda Luiza. Todos os direitos reservados.

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