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Nós, emocionados, não precisamos mudar. Não adianta tentar apagar essa chama que vive dentro de nós. Ela é o que nos define. É o que nos torna quem somos. O que realmente precisamos é encontrar alguém que enxergue a nossa intensidade como um presente. Alguém que cuide desse coração profundo, sensível e genuíno. O problema é que, muitas vezes, insistimos em mergulhar em águas rasas. É quase irônico. Nos apaixonamos por quem não quer algo sério, por quem vive em dúvida. Nos sentimos atraídos pela escassez, como se o nosso coração quisesse provar que consegue transformar qualquer gota em oceano.


Não temos medo de sentir. Muito menos de demonstrar. Amamos de forma aberta, sem esconder o que carregamos por dentro. E é justamente por isso que precisamos de alguém disposto a viver essa intensidade ao nosso lado. Alguém que envie uma mensagem carinhosa no meio do dia só para lembrar que pensa em nós. Que convide para um jantar especial ou sugira algo inesperado, transformando um dia comum em uma memória inesquecível. Alguém que goste de estar por perto, que se interesse pelas nossas histórias e que, de vez em quando, ligue apenas para ouvir a nossa voz.


Chega de investir energia em corações frios. Eles nos fazem sentir insuficientes, como se o amor que temos fosse excesso, quando na verdade é dom. Aos poucos, nos fazem duvidar do que temos de mais bonito, a nossa capacidade de nos entregar. E nós, feitos de amor, acabamos suportando mais do que deveríamos, oferecendo o melhor de nós a quem não nos devolve nem o essencial.


Mas isso não é sobre nós. Nunca foi.


Somos raros. Intensos. E não há culpa alguma nisso. Só precisamos ser mais cuidadosos com quem permitimos entrar no nosso mundo. Amar da forma como amamos exige responsabilidade. Quem chega perto do nosso coração precisa estar disposto a cuidar dele, sem medo da profundidade que carregamos.


É hora de nos proteger. De parar de desperdiçar energia com amores rasos que esfriam a alma. Não podemos permitir que o gelo dos outros apague o calor que nos torna únicos. Quantas vezes já não nos entregamos por inteiro e acabamos sozinhos, machucados pela nossa própria profundidade?


Nós não precisamos mudar. Só precisamos encontrar alguém disposto a mergulhar tão fundo quanto nós.


Foto: Freepik
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Não sei quando vou conseguir parar de escrever sobre você. Existe uma sensação estranha, quase uma conexão invisível, como se você ainda lesse tudo o que eu escrevo. Ou talvez isso seja só coisa da minha cabeça. Uma paranoia silenciosa. Escrever virou a única forma que encontrei de dizer o que nunca mais poderei dizer pessoalmente. É uma conversa de mão única. Só eu falo. Nunca há resposta. Ainda assim, é como se estivéssemos próximos, mesmo estando tão distantes.


Mas algo em mim está se desfazendo aos poucos. De maneira silenciosa e cruel. Sinto a alma inquieta, querendo sair do lugar. Um vazio que nada consegue preencher. Não sei o que fazer. Às vezes, penso em arrumar as malas e simplesmente ir. Vaguear pelo mundo, conhecer novos lugares, me perder em paisagens bonitas e tentar distrair a tristeza com descobertas que ainda não vivi.


Estados Unidos ou Londres parecem boas ideias. Um plano tentador. Mas, se eu for, será um plano só meu. Porque já não podemos dividir a mesma estrada, nem caminhar lado a lado. E mesmo que fugir pareça uma saída possível, sempre surge a mesma dúvida. Penso em levar apenas o necessário para sobreviver e viver longe de tudo o que lembra o passado. Mas, no fundo, sei que isso não apagaria o que fomos. O que me falta não são lugares. É um jeito de deixar o passado descansar.


Talvez eu possa ficar. Ficar e continuar lutando. Lutar por um mundo onde eu erre menos, onde consiga parar de escrever sobre você e, quem sabe, ser mais feliz. Talvez o segredo esteja em me perdoar pelo que já passou, aprender a viver o presente e, assim, construir um futuro melhor. Pode ser esse o caminho. Ou talvez não. E, se não for, que o destino me permita encontrar a minha verdade, sozinha, sem medo de me perder outra vez.


Preciso, de uma vez por todas, seguir em frente sem olhar para trás. Preciso reencontrar a minha essência. Eu sei que ainda estou viva aqui dentro. Só preciso de mais um pouco de persistência. E de acreditar que vale muito a pena me encontrar de novo.


Foto: Freepik
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Era uma noite de terça-feira. Eu não estava bem, mas também não sabia explicar exatamente o que sentia. Se tivesse que dar um nome, diria que era um luto estranho, como se algo tivesse morrido dentro de mim. Passei no mercado e comprei algumas coisas para comer. O plano era simples. Chegar em casa, tomar um banho quente, assistir a um filme e devorar nuggets e chocolates. Parecia um bom plano. Parecia suficiente.


Deitei por volta da meia-noite. O frio estava intenso e meus pés congelavam. Foi então que o sentimento que me acompanhou durante todo o dia resolveu se mostrar de vez. Veio forte, pesado, trazendo angústia, medo e aflição. Quando abri os olhos, eu não estava mais no meu quarto. Estava no fundo de um oceano. Tudo era escuro. Quase não dava para enxergar nada. Tentei nadar em direção à superfície, mas ela parecia distante demais, como se nunca tivesse existido. Eu estava ali, perdida no meio do nada, sem ar, com o coração acelerado. A sensação de sufocamento era tão real que tive certeza de que iria morrer.


Fechei os olhos com força. Quando os abri novamente, não estava mais no oceano, mas em um quarto escuro, completamente sozinha. Algo estava errado. O silêncio era absoluto. Uma presença estranha começou a me incomodar. A respiração ficou curta, o coração acelerou ainda mais. No fundo, senti que deveria correr, mas meu corpo não obedecia. Estava paralisada. Tentei gritar, mas a voz não saía. Ninguém ouviu. Chorei até não ter mais forças. Mais uma vez, a sensação de que eu ia morrer tomou conta de tudo.


Adormeci por volta das quatro da manhã, quando o cansaço finalmente me venceu. Tive medo de dormir e não acordar. Meus olhos estavam inchados de tanto chorar. Um vazio enorme tomou conta de mim. Uma tristeza profunda. Tudo parecia acabado, e eu não fazia ideia de como seguir. No dia seguinte, acordei sem forças para sair da cama. Cada movimento era uma batalha. Fiquei imóvel, revivendo a noite interminável que tinha acabado de passar. Ainda havia mais um dia pela frente. Falar com pessoas. Sorrir. Fingir que estava tudo bem, quando não estava. Juntei toda a coragem que tinha. Naquele momento, o maior desafio era simplesmente sobreviver ao dia.


A ansiedade me domina. Ela rouba o controle dos sentimentos, da mente e até do corpo. Tudo dói. Muitas vezes ajo por impulso, buscando respostas rápidas e soluções imediatas para aliviar a dor. Vivo esperando que o pior aconteça, como se fosse inevitável. Em meio ao caos, tudo ganha proporções enormes. Cada palavra pesa. Cada gesto machuca. A vida fica intensa demais, e eu me transformo em alguém que não queria ser. As pessoas se afastam, cansadas de lidar com os meus altos e baixos. Meus pensamentos negativos não me dão descanso. O que me resta é chorar sozinha, longe de qualquer olhar, para esconder a inconstância que vive em mim.


Ter ansiedade é viver entre extremos. Os baixos são profundos, como se eu estivesse no fundo do poço. Os altos são intensos demais, a ponto de me fazer acreditar que a queda será sempre pior. E assim sigo, dia após dia, tentando resistir. Esperando que, em algum momento, a ansiedade se canse de mim e decida ir embora para sempre.


Foto: Freepik
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