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  • 10 de dez. de 2024

E a gente fica como?

Sentimental.


Eu sou, sem dúvida, a pessoa com o espírito mais natalino que eu conheço. O Natal é a minha época favorita do ano. Ao mesmo tempo, é também quando fico mais nostálgica. As lembranças aparecem sem pedir licença e nem todas são suaves. Vêm os sorrisos que já não estão mais aqui, os abraços que não podemos mais dar, as palavras que ficaram guardadas e os momentos que passaram. Páginas viraram. Outras tantas histórias ficaram para trás.


Ainda assim, o Natal também fala sobre renascimento. É tempo de recomeçar. De resgatar esperanças que se perderam pelo caminho. Reunir a família. Fazer as pazes com aquele primo com quem não se fala há anos. Matar a saudade de quem continua aqui. Mandar mensagem para aquele amigo distante usando a velha e perfeita desculpa do “Feliz Natal”. Comer tudo o que a pessoa cozinheira da casa preparou com carinho. Planejar um futuro brilhante. Sonhar com o improvável. E, por alguns dias, acreditar que tudo pode acontecer.


O Natal é a época ideal para aquecer corações que estavam congelados. Alguns dizem que ele é um grande clichê. Talvez seja. E este ano, confesso, quero viver o Natal mais clichê de todos. Pretendo passar dezembro inteiro assistindo aos meus filmes natalinos favoritos. Essa época me lembra chocolate quente, panettones e biscoitos champanhe, que todo mundo diz odiar, menos eu.


E se você fez cara feia ao ler biscoitos champanhe, espere só até saber que eu também amo uva passa no arroz.


No Natal, a gente sente.

E sente sem culpa.


Foto: Wix
Foto: Wix

  • 5 de jul. de 2024

Existe uma linha muito delicada entre terminar um relacionamento, mesmo quando ainda existe amor, e permanecer para sempre apenas porque o amor ainda existe. A verdade é que o amor, sozinho, nunca é suficiente. Existem muitas formas de amar, mas nem toda forma de amor é capaz de trazer felicidade. É preciso mais do que sentimento. Não falo de bens materiais, luxos ou promessas grandiosas. Falo de gestos simples, cuidado, carinho e, acima de tudo, respeito.


Eu não vou mais me colocar em situações em que pareça louca ou fria apenas por exigir o mínimo de alguém. Já estive onde não queria estar para agradar, para me encaixar, para parecer mais fácil de amar. Permiti que definissem meu caráter e minha personalidade apenas para me desvincular de conflitos. Aceitei acusações sem fundamento. Insisti para que acreditassem em mim. Sofri, chorei, me senti culpada pelo caos que não criei e, ainda assim, aceitei desculpas e segui em frente como se nada tivesse acontecido.


Mas nada disso desaparece tão facilmente.


Você começa a erguer barreiras que depois se tornam quase impossíveis de derrubar. Os dias extraordinários passam a ter o mesmo peso dos dias de catástrofe. O amor começa a ser questionado. A mente se confunde. Você já não sabe mais o que é real e o que é medo. A tranquilidade da alma se perde e tudo se transforma em dúvida.


Uma parte de você diz para aguentar mais um pouco. Ele te ama. A outra parte pede para ir embora antes que seja tarde demais. Quando o amor começa a gerar insegurança, até o brilho no olhar passa a importar. E, de repente, tudo se desfaz.


Você se perde tentando entender o que é aceitável ou não. Nessas horas, amor e razão precisam caminhar juntos. É preciso lembrar do motivo que te fez se apaixonar. Enxergar o encanto, a admiração, os detalhes que um dia fizeram sentido. Mas como fazer isso quando você já não consegue nem se reconhecer? Você se diminuiu tanto que já não sabe mais quem é.


Então chega o momento da despedida.

E o último adeus acontece, com amor ou sem ele.


Foto: Freepik
Foto: Freepik

Quando terminei com você, não terminei apenas um relacionamento. Terminei com falsas promessas. Com a sua falta de responsabilidade afetiva. Com as vezes em que tentamos assistir a um filme juntos, mas a sua atenção estava sempre dividida entre o celular e a próxima fase do jogo. Terminei com as noites em que não conversamos porque você estava cansado do mesmo assunto. Com os dias em que tentei criar um momento saudável, te olhando nos olhos e falando sobre qualquer coisa, enquanto você preferia ir para o quarto deitar, entediado com a minha presença.


Terminei com as noites de ansiedade e choro, sem entender o que estava acontecendo comigo. Com a confusão sobre os meus próprios sentimentos. Com o medo da frieza de um coração que parecia não saber amar. Com o desgaste de esperar mudanças que nunca vinham. Com a frustração de fazer planos sozinha. Com as noites mal dormidas, sentindo falta de um abraço, de carinho, de atenção.


Terminei com a sua família, que eu mal cheguei a conhecer. Com expectativas que nunca poderiam ser alcançadas. Com a imaturidade para resolver problemas simples. Com a ausência de diálogo. Com as brincadeiras fora de hora. Com a falta de sensibilidade em perceber que os meus sentimentos também importavam.


Terminei com a ausência de sorrisos sinceros. Com a falta de leveza. Com a tranquilidade que nunca chegou a existir. E, principalmente, terminei com a possibilidade de me perder de mim mesma mais uma vez, tentando encontrar a felicidade em alguém que nunca soube como cuidar dela.


Esse término não foi sobre desistir de você.

Foi sobre escolher a mim mesma.


Foto: Pinterest
Foto: Pinterest

©2023 Brenda Luiza. Todos os direitos reservados.

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