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Oi. Sou eu de novo. O seu eu do passado.


Estou aqui para dizer que, se existisse uma realidade paralela, você provavelmente estaria errando tudo outra vez. E não por falta de aviso, mas porque você é assim. Você se arrisca, mergulha nas próprias dúvidas e evita decisões fáceis demais. Você enfia a cara nos erros sem pedir permissão e segue em frente, mesmo que o mundo inteiro desaprove as suas escolhas.


Você é como o fogo. Intensa, ardente e, às vezes, imprevisível. O seu coração vive em chamas. Elas começam pequenas, quase imperceptíveis, mas em poucos segundos se espalham, deixando marcas, consequências e algumas ruínas pelo caminho. Você tenta ter mais cuidado, tenta apagar o incêndio, mas quando percebe, já é tarde. Você perdeu o controle. E, no fundo, sempre soube que isso aconteceria.


Você vive em um mundo que é só seu. Um lugar onde a felicidade e a tristeza caminham juntas, formando um equilíbrio estranho, mas quase perfeito. As escolhas erradas que você faz te levam a experiências absurdamente intensas. Elas te ensinam a viver sem freios, sem cálculos excessivos. Em algum ponto, você deixa de se preocupar em fazer o certo ou o errado e passa a se importar apenas em viver de um jeito que faça sentido para você.


A solitude é uma das suas maiores virtudes. Ficar sozinha não te assusta. No fim das contas, sempre foi você por você mesma. Lutando para chegar à linha de chegada antes que o medo da escuridão te alcance. Antes que o silêncio pese demais e você precise decidir para onde correr.


Mas não tenha medo.

Eu continuo aqui.


Estarei sempre por perto, tentando te guiar como uma luz distante no céu. Vou segurar a sua mão, mesmo quando você fingir que não precisa, e torcer para que o universo seja generoso com alguém tão forte e corajosa. Continue firme. Não desista de alcançar o céu e, se puder, guarde as memórias dessa jornada. Um dia, você vai olhar para trás e se orgulhar.


E não se vive apenas de erros. Sonhar do jeito que você sonha é um dos seus maiores acertos. Já que nem tudo pode ser conquistado, você coleciona fantasias, ideias, inspirações e uma esperança teimosa. Daquelas capazes de mover o mundo inteiro.


Foto: Freepik
Foto: Freepik

Morar sozinha.


É a aventura mais louca que já vivi e, cá entre nós, a mais incrível também. Foi assim que comecei a amadurecer de verdade. Em algum momento, virei adulta. Percebi isso no dia em que a moça da dengue apareceu aqui em casa. Ela procurou por mim, anotou meu nome no cadastro dela, algo que antes costumavam fazer com o nome da minha mãe, e me entregou um papelzinho com as datas das próximas visitas para eu guardar. Foi ali que a ficha caiu. Agora sou eu quem recebe a moça da dengue, cuida da casa e lembra onde guardou o tal papelzinho.


Mas não foi só isso.


A confirmação veio também quando precisei comprar o primeiro botijão de gás. Eu não fazia ideia de que custava tão caro. Parecia que nada saía por menos de cem reais. De repente, precisei aprender a ter responsabilidade financeira. Lavar roupa, arrumar a casa e fazer comida passaram a ser coisas tão comuns que deixaram de parecer um problema. E, de fato, não são.


Hoje tenho mais contas para pagar e responsabilidades que não dizem respeito apenas a mim. Preciso lembrar de não fazer barulho demais para não incomodar os vizinhos, tirar o lixo nos dias certos, economizar água e luz, resolver imprevistos sozinha e aprender a conviver apenas com a minha própria companhia.


E sabe de uma coisa?

Eu estou amando aprender tudo isso.


Em troca, recebo benefícios que valem muito a pena. Tranquilidade, privacidade, silêncio, plantinhas espalhadas pela casa e aquele aconchego que só quem mora sozinha entende. Posso entrar e sair quando quiser, receber visitas, dormir e comer na hora que der vontade, fazer tudo ou simplesmente não fazer nada.


Passei a me preocupar menos com coisas inúteis, porque agora tenho prioridades diferentes. Me sinto capaz de ir longe, até onde meus próprios olhos ainda não conseguem enxergar. E essa história ainda não acaba aqui.


Afinal, a aventura está só começando.


Foto: Freepik
Foto: Freepik

30 de mai. de 2025

Dizer adeus é uma das coisas mais difíceis que existem. E, ainda assim, é necessário. No começo, até parece simples. A gente acredita que dá conta, que é só uma palavra, um gesto, um fim anunciado. Mas, com o tempo, a ficha cai. Você percebe que não há retorno e entende que aquele adeus não é temporário. É definitivo.


Dizem que, em algum momento, tudo passa e restam apenas as lembranças. Aqui estou eu, esperando esse momento chegar. Confesso que isso me causa uma ansiedade imensa. Uma dor que se instala no fundo do peito e uma ausência de felicidade que deixa a vida estranhamente vazia. É como se algo estivesse faltando o tempo todo, mesmo sem saber exatamente o quê.


É o fim de um ciclo. E eu sei que preciso seguir em frente, mesmo tendo que engolir a tristeza e conter as lágrimas de vez em quando. Preciso acreditar, sem hesitar, que tudo vai ficar bem. Houve um tempo em que eu tinha tanto medo de perder alguém que acreditava que o mundo acabaria se isso acontecesse. Demorou, mas cheguei aqui. Hoje, o medo é outro. O medo de me perder de mim mesma.


Jamais deixarei de acreditar no amor, mesmo que alguém, em algum momento, tenha desistido de me amar. Uma vez me disseram que não é porque uma coisa deu errado que tudo vai dar errado. Ouvir isso fez sentido. Repeti essa frase algumas vezes até transformá-la em verdade.


A pessoa mais importante da sua vida precisa ser você. Lute por si com coragem. Se necessário, faça-se de forte. Seja firme e até fria em alguns momentos, para que a partida de alguém não pareça o fim do mundo. Permita-se exigir, querer, escolher, acreditar, ser feliz e encontrar o amor. Não abra mão da sua essência. Crie expectativas, sim, e jamais aceite menos do que merece. É assim que se aprende a sobreviver à dor da despedida.


Não é fácil. Eu sei. Mas é o melhor caminho. É o caminho que machuca menos, que anestesia aos poucos, que te coloca como prioridade e desperta, novamente, a vontade de ser feliz. Mesmo que isso signifique arrumar as malas e recomeçar tudo de novo.


Despeça-se do outro, se for preciso. Mas nunca diga adeus a si mesma.


Foto: Pinterest
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©2023 Brenda Luiza. Todos os direitos reservados.

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