top of page

No começo, amar é barulho bom. Mensagem no meio do dia. Voz presente. Olho atento. Aquela sensação de ser escolhida sem precisar pedir.


Existe troca. Existe vontade. Existe tempo.


E então, sem aviso, algo muda. Não é uma briga. Não é um fim. É um silêncio que cresce devagar. Uma resposta curta. Um “tá bom” onde antes havia conversa. A estranha sensação de estar perto, mas não exatamente junto. A relação continua, mas algo já não sustenta como antes.


Quando a gente se vê pouco e, mesmo à distância, o contato também diminui, nasce um vazio difícil de explicar. Não é carência. É ausência emocional. É gostar de alguém e, ainda assim, começar a se sentir sozinha dentro da própria relação.


E, quase sem perceber, a gente começa a cobrar.


Cobrar presença. Cobrar atenção. Cobrar aquilo que antes vinha espontâneo.


Não porque queremos controlar o outro, mas porque queremos resgatar o que existia no começo. Aquela versão do amor que parecia segura, leve, certa. Mas a cobrança não aproxima. Ela cansa. Quanto mais um pede, mais o outro se recolhe. E quanto mais o outro se recolhe, mais a insegurança cresce. É um ciclo silencioso, que não nasce da falta de sentimento, mas da falta de alinhamento.


Existe uma dor muito específica em amar alguém que fala de futuro, de planos, de promessas, mas ainda não transforma isso em atitudes no presente. A dor de estar incluída nos sonhos, mas ainda não totalmente na vida. De existir nas palavras, mas não no mundo real do outro.


Com o tempo, a gente começa a se perguntar se está pedindo demais. Quando, na verdade, está pedindo o básico para se sentir escolhida.


Talvez amadurecer emocionalmente seja reconhecer quando o amor deixa de ser leve. Quando amar começa a exigir esforço constante de um lado só. Quando ser sincera passa a parecer exagero. Quando falar do que dói vira risco.


Nessa hora, algo precisa mudar.


Às vezes, a mudança não é ir embora. É parar de insistir. Parar de explicar. Parar de correr atrás do que deveria vir naturalmente. É entender que palavras bonitas não sustentam vínculos sozinhas. Que amor precisa de presença, de movimento, de escolha diária, mesmo em dias corridos, mesmo em rotinas cansativas.


Talvez amar também seja saber pausar. Observar. E, principalmente, cuidar de si.


Porque no fim, amor de verdade não se mede pelo que se promete, mas pelo quanto se caminha em direção ao outro. E ninguém deveria precisar implorar para ser incluída na vida de quem diz amar.


Foto: Pexels
Foto: Pexels

 
 

©2023 Brenda Luiza. Todos os direitos reservados.

bottom of page