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  • 16 de dez. de 2025

Nem toda confusão nasce da falta de sentimento. Às vezes, ela nasce do excesso de memória. Ele não estava confuso sobre o que sentia. Estava confuso sobre o que poderia sentir sem se machucar outra vez.


Depois de uma história que terminou em medo, chantagem emocional e culpa, amar deixou de ser simples. O que antes era entrega virou cautela. O entusiasmo deu lugar ao freio. Não porque o coração não quisesse, mas porque a mente aprendeu a se proteger.


A confusão surgiu quando o afeto veio sem dor. Quando o vínculo não exigia sacrifício. Quando estar junto era leve. E isso, paradoxalmente, assusta.


Quem viveu relações intensas demais aprende a associar amor com tensão. Com alerta constante. Com responsabilidade excessiva pelo outro. Então, quando aparece alguém que não aprisiona, que conversa, que respeita, que não ameaça ir embora nem ficar à força, o corpo estranha. A calma parece suspeita. A leveza soa como risco.


A confusão nunca foi sobre compromisso. Foi sobre não repetir um trauma. Ir devagar, nesse caso, não era desinteresse. Era cuidado. Era a tentativa de não prometer antes de ter certeza de que não estava entrando em outra história difícil de sair.


Mas há algo essencial nisso tudo. Compreender o medo do outro não significa se perder dentro dele. Toda relação saudável precisa de tempo. Mas também precisa de clareza. Carinho sem direção vira dúvida. Afeto sem conversa vira insegurança.


Quando ele se sentiu confuso, a atitude mais honesta não foi se afastar, mas aprender a nomear o que sentia. Entender que o passado explica, mas não pode governar o presente. Que ir devagar não é o mesmo que não ir.


Confusão não é vilã.

Ela é um convite à maturidade.

Desde que não se torne morada permanente.


Foto: Pinterest
Foto: Pinterest

Já não existem mais tantos blogs. Os poucos que resistem viraram vitrines vazias, páginas que existem apenas para provar que um dia houve algo ali. Já não recebem histórias, textos, frases ou pensamentos compartilhados. Também já não existem cartas. As pessoas não escrevem umas para as outras porque desaprenderam a dizer. O romantismo virou exagero. Flores, chocolates e cartões soam antiquados demais para um mundo apressado.


Não se compram mais revistas nas bancas. Aliás, ainda existem bancas? Quase ninguém lê jornais impressos. Poucos pesquisam em livros. Há quem ainda faça tudo isso, é verdade, mas virou exceção. O conhecimento agora é raso, rápido e descartável. Lê-se títulos. Consomem-se opiniões. Raramente se aprofunda.


Os orelhões desapareceram junto com a paciência. Antes, falar com alguém exigia esforço, tempo e um certo sacrifício financeiro. Ainda assim, a expectativa fazia parte da emoção. Hoje, a comunicação é instantânea e banal. Fala-se com todo mundo, o tempo inteiro, e não se diz quase nada. A tecnologia evoluiu de forma impressionante, e isso não é o problema. O problema é o que fizemos com ela.


As pessoas ficaram mais frias, menos empáticas e convenientemente distantes. Nunca foi tão fácil se conectar e nunca foi tão comum se sentir sozinho. A espera por uma carta virou ansiedade demais para um mundo que não sabe mais esperar. O suspense de uma ligação foi substituído por mensagens que podem ser ignoradas sem culpa. Relações passaram a ter prazo curto, validade indefinida e importância questionável.


O mundo deveria estar mais feliz com tantos avanços, mas parece cada vez mais vazio. Ama-se e odeia-se com a mesma intensidade nas redes sociais. Tudo é extremo. Tudo é espetáculo. Não se sente, reage-se. Não se vive, publica-se. E, curiosamente, ninguém consegue sair disso. Criticam, reclamam, mas permanecem.


Os sentimentos se tornaram confusos. O real e o virtual se misturam até não sabermos mais onde começa um e termina o outro. A verdade se dilui, a presença se torna opcional e o afeto, substituível. É assim que surgem os corações partidos. Cheios de amor, mas cansados. Cheios de expectativas, mas treinados para suportar a decepção.


Talvez o problema nunca tenha sido a falta de conexão. Talvez seja, justamente, o excesso dela.


Foto: Freepik
Foto: Freepik

De onde vem a felicidade que todo mundo procura?


Do amor? Do dinheiro? Dos bens materiais? Da família? Dos amigos? Do trabalho? Da terapia? E por que ainda existem pessoas que têm tudo isso e, mesmo assim, seguem infelizes? Ou apenas meio felizes, como se algo ainda faltasse?


Estamos sempre em busca de alguma coisa, em algum lugar. Sempre existe um vazio. Sempre há algo para lamentar. Ou talvez estejamos tão acostumados a sofrer que, quando a felicidade finalmente aparece, não sabemos reconhecê-la. Não damos o devido valor. E, sem perceber, deixamos que ela escape mais uma vez.


Acho que a tristeza já faz parte de mim. É quase como se eu não soubesse mais viver sem ela. É esse sentimento que me faz escrever, ouvir músicas melancólicas, ficar sozinha quando preciso. E, de algum jeito estranho, tudo fica mais simples assim. O silêncio vira abrigo. As pessoas até entendem, ou fingem entender, porque não sabem lidar com a tristeza. E, no fundo, talvez nem queiram. Sentir tristeza é um exercício de olhar para dentro. Nem todo mundo está disposto a fazer isso.


Hoje, eu me permito estar triste.


Me permito chorar até não restarem lágrimas. Me permito não atender o telefone, não responder mensagens, não explicar nada. Me permito sentir o que eu quiser, sem culpa. Me permito ser quem eu sou, com meus problemas e com as escolhas que fiz. Me permito deixar a alma gritar o mais alto que conseguir. Me permito ser a melhor ou a pior pessoa do mundo. Me permito não me importar com julgamentos. Me permito existir do meu jeito.


No fundo, acho que não sou a única que se sente confortável na tristeza. As pessoas competem entre si para provar quem sofreu mais. Quem tem mais motivos para reclamar. Qual dor é mais profunda. A ideia de se enxergar como vítima do próprio sentimento acaba se tornando combustível para continuar buscando a felicidade. E, de alguma forma torta, isso faz a gente se sentir viva.


E se buscar a felicidade for, de fato, o sentido da vida, talvez seja por isso que ninguém queira ser completamente feliz. É preciso ter algo pelo qual lutar. Algo para desejar. Algo para alcançar. Mesmo que a gente não saiba exatamente o que é.


Talvez a felicidade não esteja em chegar.

Talvez esteja em continuar buscando.


Foto: Freepik
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©2023 Brenda Luiza. Todos os direitos reservados.

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