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Onde mora o medo quando existe amor

  • 31 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 4 de fev.

Quase terminei um relacionamento que está dando certo porque, por alguns instantes, acreditei que não estava sendo amada o suficiente. Pelo menos não da forma como eu idealizei. Mas, no fundo, não era falta de amor. Era medo.


Depois de tanto tempo sendo machucada, algo muda dentro da gente. Criamos traumas silenciosos, barreiras invisíveis, defesas que parecem proteção, mas que às vezes afastam exatamente aquilo que poderia ser bom. O medo não desaparece em poucos meses. Hoje eu entendo isso.


Ele passou o Natal comigo. Abriu mão do conforto de não se preocupar com datas comemorativas. Conseguiu uma folga no trabalho para passar o Ano Novo ao meu lado em um acampamento que ele pesquisou, organizou e pagou sozinho. Depois, ainda se dispôs a trabalhar no sábado para compensar a ausência. Será que alguém faz tudo isso sem amor?


Mas então a mente começa a brincar comigo.


Ele me deu boa noite com um coração amarelo. Amarelo, não vermelho. E por que não vermelho? Aos poucos, cores passam a ter significados perigosos na minha cabeça. O amarelo virou menos paixão. Menos intensidade. Menos amor.


Naquele dia, ele me chamou de amor menos vezes. Houve menos eu te amo na conversa. O tom pareceu diferente. Mais contido. Não tão expansivo quanto de costume.


Postei duas fotos arrumada para ir a um barzinho de rock. Ele não comentou. Não reagiu. Apenas seguiu o dia. Outros homens comentaram, elogiaram, flertaram. Mas o único comentário que importava, o dele, não apareceu. No meio da multidão, ele parecia ausente.


E então surgiu a pergunta mais perigosa de todas. Isso é intuição ou paranoia?


Talvez ele esteja distante. Talvez esteja sentindo menos. Talvez não queira falar. Ou talvez nada disso esteja acontecendo. Talvez tudo exista apenas dentro da minha cabeça, alimentado por experiências antigas, por abandonos mal cicatrizados, por histórias que não terminaram bem.


Quando carregamos feridas, começamos a interpretar qualquer silêncio como rejeição. Qualquer mudança de tom como desinteresse. Tentamos controlar o sentimento do outro. Procuramos respostas que talvez nem existam. E, sem perceber, transformamos o medo em ação impulsiva. A ansiedade em decisão. A dúvida em fim.


Quase terminei algo que ainda está em construção.


O amor não é feito apenas de provas grandiosas todos os dias. Ele mora também na constância, no cuidado silencioso, na escolha repetida de ficar. Amor não se mede por emojis nem pela quantidade exata de eu te amo em uma conversa. Amor se constrói no tempo. Na paciência. No espaço que damos para o outro ser humano ser quem é. E para nós mesmas também.


Hoje eu não terminei.

Hoje eu respirei.

E isso, por enquanto, é o suficiente.


Foto: Freepik
Foto: Freepik

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