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Quando a confusão dele virou silêncio meu

  • 16 de dez. de 2025
  • 1 min de leitura

Atualizado: 3 de fev.

Ele disse que estava confuso. E, pela primeira vez, eu precisei ser clara. Não porque eu quisesse ir embora, mas porque ficar, naquele momento, significava me perder.


A confusão dele não veio em forma de frieza. Veio em cuidado. Em carinho. Em palavras bonitas que não sabiam para onde ir. Veio em promessas suaves, mas sem chão. E eu entendi. Entendi demais.


Entendi o medo.

Entendi o passado.

Entendi traumas que não eram meus.


Mas chegou um ponto em que entender começou a doer. Porque amar alguém confuso é aprender a silenciar as próprias certezas. É diminuir o passo, a expectativa, o coração, sempre para não assustar. E, quando a gente percebe, já não está vivendo. Está esperando.


Quando ele disse que estava confuso, eu não enxerguei desamor. Vi alguém que ainda não sabia ficar. E eu precisava de alguém que soubesse. Terminar não foi um gesto de orgulho. Foi um gesto de respeito comigo.


Eu não fui embora porque não existia sentimento. Fui embora porque havia sentimento demais para caber em um lugar sem nome. Dói sair quando ainda existe vontade de ficar. Dói escolher a si mesma quando o outro ainda ocupa espaço. Dói aceitar que carinho, sozinho, não sustenta tudo.


Mas existem despedidas que não são rejeição. São cuidado.


Eu terminei porque não queria ser o tempo de espera de alguém. Nem o lugar seguro onde o medo do outro se esconde. E talvez, um dia, quando ele organizar a própria confusão, entenda.


Eu não desisti dele.

Eu me escolhi.


Foto: Freepik
Foto: Freepik

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