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Mais uma despedida

  • 19 de abr.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 3 de ago.

Hoje eu tomei a decisão de ir embora. Não porque foi fácil, mas porque, sendo muito sincera comigo mesma, a única pessoa que ainda estava ali era eu. Você já tinha ido embora há muito tempo. Eu vi você indo, mas não quis aceitar.


A Ausência e o Ciclo Vicioso


Tudo começou com uma ausência disfarçada de falta de tempo. Depois vieram os términos. As voltas nunca eram iguais. Sempre voltavam mais pesadas, cheias de medos, dúvidas e inseguranças. Qualquer deslize meu era motivo para você ir embora de novo. O ciclo se repetia, e de alguma forma, isso vicia.


Eu tentei dar um nome para tudo aquilo: apego evitativo. Parecia mais fácil assim. Era mais confortável acreditar que existia uma explicação, algo que pudesse ser entendido, resolvido, consertado. A gente gosta de pensar que tudo que é racional tem solução. Mas no fundo, a pergunta nunca foi essa. A pergunta sempre foi se existia alguma forma de fazer alguém voltar a sentir o que já não sente mais.


Enfrentando a Realidade


No fim, eu só estava tentando me proteger da realidade. Mas ela sempre esteve ali, escancarada. No começo, você dava sinais, pequenos, sutis, mas claros, de desinteresse e falta de amor. Eu escolhi não enxergar. E talvez por isso você precisou dizer em voz alta.


Você disse que não queria mais nada. Que não iria voltar e até me pediu para não criar expectativas. Eu deveria ter te escutado. Deveria ter passado pela porta de saída naquele momento, mas eu fiquei.


Fiquei esperando que o tempo mudasse a sua decisão. Acreditei que em algum momento tudo voltaria a ser como antes. Mas a única decisão que mudou foi a minha. Hoje eu entendo que isso precisava acontecer. Eu precisava chegar nesse ponto para conseguir ter um pouco de paz e voltar a viver.


O Peso da Presença


Enquanto você se afastava cada vez mais, eu começava a me sentir um peso. Como se a minha presença fosse um incômodo. Cheguei a pensar que o único motivo de você não ter me bloqueado era porque sabia que eu não tinha feito nada de errado. Apesar de tudo, eu só te ofereci coisas boas: meu carinho, meu cuidado, minha presença.


Talvez isso tenha te mantido ali de forma confortável. Você sabia que, quando quisesse, eu ainda estaria ali. Mas o que você não sabia é que eu também estava me preparando para ir embora. Foi por isso que eu fiquei. Não consegui sustentar essa decisão de uma vez só. Eu precisei de tempo.


A Necessidade de Ir Embora


Nesse tempo, você me machucou tanto que ir embora deixou de ser difícil. Virou necessário. Mas a culpa não foi sua. Você deixou claro várias vezes que não queria mais nada. Fui eu que escolhi não entender.


Então eu fiquei. Fiquei até sentir a sua indiferença. Fiquei até perceber o seu desinteresse. Fiquei até me ver pedindo por atenção. E foi exatamente nesse momento que eu acordei. Entendi que sou uma mulher boa demais para precisar implorar por algo que deveria ser natural.


Porque a dor de não ser escolhida finalmente ficou maior do que o medo de ir embora.


A Decisão de Voltar para Mim


E pela primeira vez, eu não fui embora esperando que você voltasse. Eu fui embora porque finalmente voltei para mim. Essa jornada de autoconhecimento é dolorosa, mas necessária. Cada passo que dou me leva a um lugar mais seguro. Um lugar onde eu posso ser eu mesma, sem medo de ser indesejada.


A vida é feita de escolhas. E hoje, eu escolho a mim. Escolho o meu bem-estar. Escolho a minha paz.


Foto: Pinterest
Foto: Pinterest

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