- 5 de jul. de 2025
Era uma noite de terça-feira. Eu não estava bem, mas também não sabia explicar exatamente o que sentia. Se tivesse que dar um nome, diria que era um luto estranho, como se algo tivesse morrido dentro de mim. Passei no mercado e comprei algumas coisas para comer. O plano era simples. Chegar em casa, tomar um banho quente, assistir a um filme e devorar nuggets e chocolates. Parecia um bom plano. Parecia suficiente.
Deitei por volta da meia-noite. O frio estava intenso e meus pés congelavam. Foi então que o sentimento que me acompanhou durante todo o dia resolveu se mostrar de vez. Veio forte, pesado, trazendo angústia, medo e aflição. Quando abri os olhos, eu não estava mais no meu quarto. Estava no fundo de um oceano. Tudo era escuro. Quase não dava para enxergar nada. Tentei nadar em direção à superfície, mas ela parecia distante demais, como se nunca tivesse existido. Eu estava ali, perdida no meio do nada, sem ar, com o coração acelerado. A sensação de sufocamento era tão real que tive certeza de que iria morrer.
Fechei os olhos com força. Quando os abri novamente, não estava mais no oceano, mas em um quarto escuro, completamente sozinha. Algo estava errado. O silêncio era absoluto. Uma presença estranha começou a me incomodar. A respiração ficou curta, o coração acelerou ainda mais. No fundo, senti que deveria correr, mas meu corpo não obedecia. Estava paralisada. Tentei gritar, mas a voz não saía. Ninguém ouviu. Chorei até não ter mais forças. Mais uma vez, a sensação de que eu ia morrer tomou conta de tudo.
Adormeci por volta das quatro da manhã, quando o cansaço finalmente me venceu. Tive medo de dormir e não acordar. Meus olhos estavam inchados de tanto chorar. Um vazio enorme tomou conta de mim. Uma tristeza profunda. Tudo parecia acabado, e eu não fazia ideia de como seguir. No dia seguinte, acordei sem forças para sair da cama. Cada movimento era uma batalha. Fiquei imóvel, revivendo a noite interminável que tinha acabado de passar. Ainda havia mais um dia pela frente. Falar com pessoas. Sorrir. Fingir que estava tudo bem, quando não estava. Juntei toda a coragem que tinha. Naquele momento, o maior desafio era simplesmente sobreviver ao dia.
A ansiedade me domina. Ela rouba o controle dos sentimentos, da mente e até do corpo. Tudo dói. Muitas vezes ajo por impulso, buscando respostas rápidas e soluções imediatas para aliviar a dor. Vivo esperando que o pior aconteça, como se fosse inevitável. Em meio ao caos, tudo ganha proporções enormes. Cada palavra pesa. Cada gesto machuca. A vida fica intensa demais, e eu me transformo em alguém que não queria ser. As pessoas se afastam, cansadas de lidar com os meus altos e baixos. Meus pensamentos negativos não me dão descanso. O que me resta é chorar sozinha, longe de qualquer olhar, para esconder a inconstância que vive em mim.
Ter ansiedade é viver entre extremos. Os baixos são profundos, como se eu estivesse no fundo do poço. Os altos são intensos demais, a ponto de me fazer acreditar que a queda será sempre pior. E assim sigo, dia após dia, tentando resistir. Esperando que, em algum momento, a ansiedade se canse de mim e decida ir embora para sempre.
