- 6 de jun. de 2025
Morar sozinha.
É a aventura mais louca que já vivi e, cá entre nós, a mais incrível também. Foi assim que comecei a amadurecer de verdade. Em algum momento, virei adulta. Percebi isso no dia em que a moça da dengue apareceu aqui em casa. Ela procurou por mim, anotou meu nome no cadastro dela, algo que antes costumavam fazer com o nome da minha mãe, e me entregou um papelzinho com as datas das próximas visitas para eu guardar. Foi ali que a ficha caiu. Agora sou eu quem recebe a moça da dengue, cuida da casa e lembra onde guardou o tal papelzinho.
Mas não foi só isso.
A confirmação veio também quando precisei comprar o primeiro botijão de gás. Eu não fazia ideia de que custava tão caro. Parecia que nada saía por menos de cem reais. De repente, precisei aprender a ter responsabilidade financeira. Lavar roupa, arrumar a casa e fazer comida passaram a ser coisas tão comuns que deixaram de parecer um problema. E, de fato, não são.
Hoje tenho mais contas para pagar e responsabilidades que não dizem respeito apenas a mim. Preciso lembrar de não fazer barulho demais para não incomodar os vizinhos, tirar o lixo nos dias certos, economizar água e luz, resolver imprevistos sozinha e aprender a conviver apenas com a minha própria companhia.
E sabe de uma coisa?
Eu estou amando aprender tudo isso.
Em troca, recebo benefícios que valem muito a pena. Tranquilidade, privacidade, silêncio, plantinhas espalhadas pela casa e aquele aconchego que só quem mora sozinha entende. Posso entrar e sair quando quiser, receber visitas, dormir e comer na hora que der vontade, fazer tudo ou simplesmente não fazer nada.
Passei a me preocupar menos com coisas inúteis, porque agora tenho prioridades diferentes. Me sinto capaz de ir longe, até onde meus próprios olhos ainda não conseguem enxergar. E essa história ainda não acaba aqui.
Afinal, a aventura está só começando.
