- 12 de jul. de 2025
Não sei quando vou conseguir parar de escrever sobre você. Existe uma sensação estranha, quase uma conexão invisível, como se você ainda lesse tudo o que eu escrevo. Ou talvez isso seja só coisa da minha cabeça. Uma paranoia silenciosa. Escrever virou a única forma que encontrei de dizer o que nunca mais poderei dizer pessoalmente. É uma conversa de mão única. Só eu falo. Nunca há resposta. Ainda assim, é como se estivéssemos próximos, mesmo estando tão distantes.
Mas algo em mim está se desfazendo aos poucos. De maneira silenciosa e cruel. Sinto a alma inquieta, querendo sair do lugar. Um vazio que nada consegue preencher. Não sei o que fazer. Às vezes, penso em arrumar as malas e simplesmente ir. Vaguear pelo mundo, conhecer novos lugares, me perder em paisagens bonitas e tentar distrair a tristeza com descobertas que ainda não vivi.
Estados Unidos ou Londres parecem boas ideias. Um plano tentador. Mas, se eu for, será um plano só meu. Porque já não podemos dividir a mesma estrada, nem caminhar lado a lado. E mesmo que fugir pareça uma saída possível, sempre surge a mesma dúvida. Penso em levar apenas o necessário para sobreviver e viver longe de tudo o que lembra o passado. Mas, no fundo, sei que isso não apagaria o que fomos. O que me falta não são lugares. É um jeito de deixar o passado descansar.
Talvez eu possa ficar. Ficar e continuar lutando. Lutar por um mundo onde eu erre menos, onde consiga parar de escrever sobre você e, quem sabe, ser mais feliz. Talvez o segredo esteja em me perdoar pelo que já passou, aprender a viver o presente e, assim, construir um futuro melhor. Pode ser esse o caminho. Ou talvez não. E, se não for, que o destino me permita encontrar a minha verdade, sozinha, sem medo de me perder outra vez.
Preciso, de uma vez por todas, seguir em frente sem olhar para trás. Preciso reencontrar a minha essência. Eu sei que ainda estou viva aqui dentro. Só preciso de mais um pouco de persistência. E de acreditar que vale muito a pena me encontrar de novo.
