- 5 de jul. de 2024
Existe uma linha muito delicada entre terminar um relacionamento, mesmo quando ainda existe amor, e permanecer para sempre apenas porque o amor ainda existe. A verdade é que o amor, sozinho, nunca é suficiente. Existem muitas formas de amar, mas nem toda forma de amor é capaz de trazer felicidade. É preciso mais do que sentimento. Não falo de bens materiais, luxos ou promessas grandiosas. Falo de gestos simples, cuidado, carinho e, acima de tudo, respeito.
Eu não vou mais me colocar em situações em que pareça louca ou fria apenas por exigir o mínimo de alguém. Já estive onde não queria estar para agradar, para me encaixar, para parecer mais fácil de amar. Permiti que definissem meu caráter e minha personalidade apenas para me desvincular de conflitos. Aceitei acusações sem fundamento. Insisti para que acreditassem em mim. Sofri, chorei, me senti culpada pelo caos que não criei e, ainda assim, aceitei desculpas e segui em frente como se nada tivesse acontecido.
Mas nada disso desaparece tão facilmente.
Você começa a erguer barreiras que depois se tornam quase impossíveis de derrubar. Os dias extraordinários passam a ter o mesmo peso dos dias de catástrofe. O amor começa a ser questionado. A mente se confunde. Você já não sabe mais o que é real e o que é medo. A tranquilidade da alma se perde e tudo se transforma em dúvida.
Uma parte de você diz para aguentar mais um pouco. Ele te ama. A outra parte pede para ir embora antes que seja tarde demais. Quando o amor começa a gerar insegurança, até o brilho no olhar passa a importar. E, de repente, tudo se desfaz.
Você se perde tentando entender o que é aceitável ou não. Nessas horas, amor e razão precisam caminhar juntos. É preciso lembrar do motivo que te fez se apaixonar. Enxergar o encanto, a admiração, os detalhes que um dia fizeram sentido. Mas como fazer isso quando você já não consegue nem se reconhecer? Você se diminuiu tanto que já não sabe mais quem é.
Então chega o momento da despedida.
E o último adeus acontece, com amor ou sem ele.
