- 15 de mar. de 2025
Você deveria ter percebido o quanto eu tentei. Ah… como eu tentei.
Fiz tudo o que estava ao meu alcance para te ver bem. Coloquei vontades minhas de lado, adiei sonhos pequenos, aceitei coisas que eu não queria aceitar, tudo para ser sua cúmplice, para estar com você em cada momento. Tirei a armadura que eu vestia há tanto tempo e, aos poucos, fui me permitindo sentir. Deixei os sentimentos correrem livres, até não estar mais no controle de nada.
Você deveria ter percebido que tudo o que eu fazia partia da mesma crença simples: juntos, tudo era mais divertido. As festas de família, os churrascos improvisados, os encontros com os amigos, o sítio no fim de semana, um jantar qualquer, um passeio de domingo, um sábado de cinema em casa, uma noite de música e dança ou até um dia inteiro sem fazer absolutamente nada. Não importava o cenário. Com a gente, tudo virava festa. Tudo virava bagunça boa.
Mas em que momento isso mudou? Quando foi que deixamos de ser bobos? Quando foi que a alegria ficou em segundo plano?
Em que instante a música, o ambiente, o som alto, as pessoas ao redor passaram a ser mais importantes do que a nossa própria companhia? Em algum ponto do caminho, acho que perdi algo. Ou talvez tenha sido aí que eu tenha começado a enxergar.
Você deveria ter percebido que, mesmo quando não estávamos juntos fisicamente, uma parte de mim sempre esteve ao seu lado. Onde quer que eu estivesse, você também estava. Não porque eu quisesse viver à sombra de alguém, mas porque a minha alma já tinha entendido: a nossa conexão não dependia de lugar, distância ou presença constante.
Você sempre esteve aqui. E eu sempre estive aí.
Você deveria ter percebido que estaríamos conectados, em qualquer cidade, em qualquer esquina do mundo. Mas talvez algumas coisas só fiquem claras quando já é tarde demais.
